
A política paraibana foi surpreendida com um gesto que ecoa como uma ruptura dolorosa e, para muitos, injustificável. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, que esteve afastado da cena política estadual por quase duas décadas, decidiu trilhar um caminho que deixa marcas profundas em antigos aliados e na memória coletiva: rompeu com a família Ribeiro, grupo político que não apenas lhe estendeu a mão no momento mais sombrio, mas também o recolocou no centro das decisões da Paraíba.
Foi pelas mãos da família Ribeiro que Cícero voltou a ser ator relevante no cenário político. Foi sob a articulação desse grupo que ele firmou aliança com o governador e conquistou novamente a prefeitura da capital, não apenas uma, mas duas vezes seguidas. A história política recente de João Pessoa não poderia ser escrita sem reconhecer a participação direta da família Ribeiro na reconstrução da trajetória de Cícero.
Mas agora, quando o caminho natural da sucessão aponta para Lucas Ribeiro — vice-governador que assumirá o governo do Estado em abril, representante legítimo de um projeto que uniu forças, energias e esperanças —, Cícero surpreende a todos ao se lançar candidato, em um gesto visto por muitos como traição.
A decisão não se limita a um movimento político. Ela carrega o peso simbólico da ingratidão. Afinal, como compreender que alguém que viveu um longo “exílio” político, retornando apenas porque encontrou respaldo, confiança e apoio incondicional da família Ribeiro, agora escolha trilhar um caminho oposto, mesmo à custa da lealdade que sempre foi a marca registrada da política séria?
O gesto de Cícero Lucena ecoa como covardia para com aqueles que acreditaram nele, como falta de compromisso com um projeto maior, que não era apenas pessoal, mas coletivo. É um ato que fragiliza a confiança não só dos aliados, mas também da população que esperava ver continuidade, respeito e coerência.
O rompimento, mais do que um movimento político, é um retrato da fragilidade das alianças e da forma como a ambição pode se sobrepor à gratidão. Para a família Ribeiro, para o governador que o apoiou em duas eleições e, sobretudo, para o povo que acreditou nessa união, o gesto de Cícero será lembrado não pela ousadia de quem se lança candidato, mas pelo amargo gosto da traição
Blog do Alexandre Kennedy