
Uma fonte próxima ao núcleo do poder revelou com exclusividade que, em apenas uma semana, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, deverá assinar sua ficha de filiação ao MDB, partido comandado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo.
O gesto, que nos bastidores já é tratado como submissão política, representa muito mais que uma simples mudança partidária: é visto como uma traição ao povo da Paraíba, justamente por entregar o futuro de João Pessoa e do estado aos mesmos grupos que, no passado, estiveram em lados opostos.
Não custa lembrar: Cícero foi impedido de disputar a reeleição ao Senado em 2014 pelas articulações do grupo hoje aliado de Veneziano — a família Cunha Lima, liderada pelo cacique Cássio Cunha Lima. Agora, em um giro surpreendente, Cícero volta a se alinhar àqueles que o barraram, ignorando completamente a memória e a vontade popular.
O que se costura em Brasília, longe dos olhos da população, revela mais uma vez a velha prática da política dos conchavos: acordos fechados em gabinetes, sem consulta ao povo, sem transparência e sem legitimidade.
Na Paraíba, onde a história política é marcada por disputas acirradas e desconfiança popular, a movimentação de Cícero traz a mais dura das mensagens: a palavra dada ao eleitor vale menos do que as promessas de poder costuradas em tapetes vermelhos da capital federal.
E a grande questão que ecoa nas ruas é: até onde vai a lealdade de Cícero Lucena ao povo que o elegeu, se ele já entrega sua alma ao MDB de Veneziano?
Blog do Alexandre Kennedy