
O secretário de Desenvolvimento Econômico de João Pessoa, Bruno Farias, resolveu inovar na retórica política e comparou o prefeito Cícero Lucena ao personagem Rocky Balboa, vivido por Sylvester Stallone. A fala, feita durante entrevista ao programa Hora H, parece ter sido inspirada mais pela nostalgia dos anos 80 do que pela realidade de João Pessoa.
Bruno disse que o prefeito seria como Rocky, “apanhando de cabeça erguida”. Mas, se formos levar a comparação a sério, o retrato é, no mínimo, preocupante. Rocky Balboa é o típico personagem que age por impulso, tem dificuldade de aceitar críticas, vive do passado e, em boa parte da franquia, mostra-se emocionalmente instável, desorientado e incapaz de se reinventar fora do ringue.
Balboa é também um símbolo de resistência cega: insiste em lutar mesmo quando o corpo e a mente já não respondem, quando todos ao redor percebem que o tempo dele passou. É movido mais pela teimosia do que pela razão — e paga caro por isso. Se Bruno Farias quis elogiar o prefeito, acabou descrevendo alguém preso a uma lógica antiga, que insiste em reviver glórias passadas sem perceber que o cenário mudou.
E se quisermos ampliar a analogia, basta lembrar que o próprio ator que deu vida ao personagem, Sylvester Stallone, construiu uma carreira marcada por altos e baixos, excessos e polêmicas: um artista acusado de falta de profundidade, de repetir fórmulas gastas e de não aceitar bem o envelhecimento do próprio mito. Em outras palavras, uma trajetória que, ironicamente, reflete o mesmo esgotamento que João Pessoa vem sentindo na gestão atual — um roteiro repetitivo, sem novidade e com um protagonista que parece atuar em piloto automático.
Se Cícero é o Rocky Balboa de Bruno Farias, o filme em cartaz na Prefeitura de João Pessoa é daqueles que o público já viu demais: cheio de discursos de superação, mas sem fôlego, sem emoção e, principalmente, sem final feliz.
Por Alexandre Kennedy – Blog de Política e Opinião