
A cena política paraibana ferveu nos últimos dias, depois que declarações da senadora Daniella Ribeiro (PP) e reações de integrantes do grupo do prefeito Cícero Lucena (sem partido) incendiaram os bastidores. Em meio ao embate, o secretário de Administração do Estado, Tibério Limeira (PSB), saiu em defesa da senadora e fez um discurso forte contra o machismo estrutural que ainda impera na política.
O episódio começou após Daniella conceder entrevista à TV Norte, na noite da segunda-feira (6), onde comentou o rompimento político de Cícero Lucena com o governador João Azevêdo (PSB). O prefeito da Capital decidiu deixar a base aliada, em movimento que contrasta com a posição do Progressistas (PP) — partido de Daniella e do vice-governador Lucas Ribeiro, que segue como principal aliado do governador e pilar do projeto de sucessão de 2026.
Em resposta às declarações da senadora, o secretário de Comunicação da Prefeitura de João Pessoa, Janildo Silva, afirmou em entrevista que Daniella teria se comportado de forma “destemperada”. A fala acendeu o estopim e motivou reação imediata de Tibério Limeira.
“Quando uma mulher se posiciona com firmeza, é chamada de destemperada, enquanto homens são considerados corajosos”, rebateu o secretário de Administração do Estado, classificando as críticas como um exemplo claro da lógica machista ainda presente nas estruturas políticas.
A fala de Tibério ganhou grande repercussão nas redes e foi interpretada como um gesto de solidariedade e coerência com o grupo da senadora Daniella e do vice-governador Lucas Ribeiro — que, ao lado de João Azevêdo, compõem o núcleo central da aliança governista e conduzem o debate sobre o futuro político da Paraíba.
Violência política de gênero: um problema nacional que se reflete na Paraíba
As declarações de Tibério reacendem um debate urgente: o da violência política de gênero, problema crescente em todo o país.
Um levantamento do Instituto Marielle Franco revela que 83% das mulheres na política brasileira já sofreram algum tipo de violência política, seja por insultos, interrupções constantes, difamação ou tentativas de desqualificação pública.
Outro dado alarmante vem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que registrou aumento de 46% nas denúncias de violência política contra mulheres nas eleições de 2022 em comparação a 2018. A maioria dos casos envolve mulheres que ocupam posições de poder e enfrentam resistência por exercerem liderança com firmeza — como é o caso de Daniella Ribeiro.
Esses números escancaram o machismo ainda arraigado nas estruturas de poder, onde a assertividade feminina é frequentemente confundida com agressividade, enquanto o comportamento autoritário de homens é rotulado como “postura firme” ou “liderança forte”.
Tibério: voz de equilíbrio e respeito dentro da base governista
Ao rebater a fala de Janildo Silva, Tibério Limeira não apenas defendeu uma aliada política — defendeu um princípio. Sua intervenção foi lida como uma manifestação de respeito às mulheres na política e de reafirmação do compromisso ético da gestão João Azevêdo, que mantém no Progressistas e no vice-governador Lucas Ribeiro os pilares de continuidade administrativa e estabilidade política para 2026.
O gesto de Tibério também demarcou uma fronteira clara entre debate político legítimo e ataques pessoais travestidos de opinião, expondo uma contradição histórica: enquanto homens são celebrados por “falar duro”, mulheres ainda são criticadas por “falar demais”.
Mais do que uma defesa de Daniella Ribeiro, a fala de Tibério é um posicionamento público contra o machismo político e um lembrete de que o futuro da Paraíba não se constrói com ataques pessoais, mas com diálogo, respeito e maturidade política.
Blog do Alexandre Kennedy