PolĂ­tica

📌 Editorial – Pauta das 20

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Segundo o senador Veneziano Vital do RĂȘgo, para disputar uma eleição Ă© preciso ter “experiĂȘncia administrativa”. Uma espĂ©cie de selo de qualidade que, curiosamente, ele se sente Ă  vontade para distribuir. Em Sobrado, Veneziano resolveu assumir o papel de avaliador da polĂ­tica paraibana, carimbando o prefeito CĂ­cero Lucena como “testado” e, no mesmo movimento, tentando desqualificar Lucas Ribeiro, como se experiĂȘncia fosse um tĂ­tulo vitalĂ­cio concedido por quem jĂĄ passou pelo Executivo — ainda que sem resultados memorĂĄveis.

A fala soa mais como ironia involuntĂĄria do que como argumento sĂłlido.

➡ Ser testado nĂŁo Ă© sinĂŽnimo de ser aprovado.

A polĂ­tica ensina, com frequĂȘncia, que alguns gestores sĂŁo testados muitas vezes — e reprovados em quase todas. Ter ocupado cargos pĂșblicos nĂŁo significa, necessariamente, ter sido eficiente, inovador ou responsĂĄvel. A experiĂȘncia que importa nĂŁo Ă© a do tempo, mas a do resultado.

E mais: ninguém governa sozinho.

➡ O que realmente governa Ă© o time.

A ParaĂ­ba vive hoje um exemplo concreto disso. O PSB, sob a liderança do governador JoĂŁo AzevĂȘdo, construiu um modelo administrativo baseado em planejamento, metas e equipe. Dentro desse projeto, Ă© fundamental citar TibĂ©rio Limeira, um quadro tĂ©cnico e polĂ­tico que representa uma gestĂŁo moderna, dialogada e comprometida com polĂ­ticas pĂșblicas estruturantes.

O mesmo vale para os Republicanos, que comandam a Secretaria de Educação do Estado com resultados reconhecidos, e para o Progressistas, que assumiu pastas estratégicas e integra um projeto coletivo de governo. Aqui, a lógica é clara: o projeto vem antes do nome.

➡ Cícero Lucena: testado, sim — aprovado, nem sempre.

Ao exaltar CĂ­cero Lucena como um gestor “testado”, ignora-se convenientemente que sua trajetĂłria Ă© marcada por escĂąndalos, investigaçÔes e desgastes polĂ­ticos, que acompanharam suas gestĂ”es e ainda hoje fazem parte do debate pĂșblico. Mesmo com decisĂ”es judiciais posteriores, os episĂłdios deixaram cicatrizes polĂ­ticas e questionamentos sobre prĂĄticas administrativas e Ă©tica na gestĂŁo.

ExperiĂȘncia nĂŁo pode ser medida apenas pelo nĂșmero de mandatos, mas pelo legado deixado.

➡ E quem distribui o selo de experiĂȘncia? Veneziano.

Aqui a sĂĄtira se impĂ”e por si sĂł. Veneziano fala como se sua prĂłpria passagem pelo Executivo fosse um exemplo a ser seguido. No entanto, sua gestĂŁo Ă  frente da Prefeitura de Campina Grande Ă© amplamente lembrada por dificuldades administrativas, falta de planejamento, problemas financeiros e ausĂȘncia de um legado estrutural consistente.

NĂŁo foi uma gestĂŁo que virou referĂȘncia, nem dentro nem fora do estado. Ao contrĂĄrio, encerrou-se com desgaste polĂ­tico e crĂ­ticas Ă  incapacidade de imprimir eficiĂȘncia administrativa. Portanto, soa contraditĂłrio — para nĂŁo dizer cĂŽmico — que Veneziano tente medir a rĂ©gua da experiĂȘncia alheia.

➡ Nome forte pode fracassar. Time comprometido sustenta.

A polĂ­tica contemporĂąnea exige menos personalismo e mais governança. Um nome isolado pode fracassar, mesmo apĂłs dĂ©cadas na vida pĂșblica. JĂĄ um time bem montado, com projeto claro e compromisso coletivo, tende a resistir a crises e entregar resultados reais Ă  população.

➡ Conclusão

ExperiĂȘncia, quando desacompanhada de projeto, equipe e resultados, vira apenas retĂłrica. A ParaĂ­ba tem mostrado que o caminho mais seguro nĂŁo passa pelo culto a nomes “testados”, mas pela construção de times preparados e projetos consistentes.

No fim das contas, o eleitor não escolhe currículo — escolhe resultado.

Alexandre Kennedy

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