
Segundo o senador Veneziano Vital do RĂȘgo, para disputar uma eleição Ă© preciso ter âexperiĂȘncia administrativaâ. Uma espĂ©cie de selo de qualidade que, curiosamente, ele se sente Ă vontade para distribuir. Em Sobrado, Veneziano resolveu assumir o papel de avaliador da polĂtica paraibana, carimbando o prefeito CĂcero Lucena como âtestadoâ e, no mesmo movimento, tentando desqualificar Lucas Ribeiro, como se experiĂȘncia fosse um tĂtulo vitalĂcio concedido por quem jĂĄ passou pelo Executivo â ainda que sem resultados memorĂĄveis.
A fala soa mais como ironia involuntĂĄria do que como argumento sĂłlido.
⥠Ser testado não é sinÎnimo de ser aprovado.
A polĂtica ensina, com frequĂȘncia, que alguns gestores sĂŁo testados muitas vezes â e reprovados em quase todas. Ter ocupado cargos pĂșblicos nĂŁo significa, necessariamente, ter sido eficiente, inovador ou responsĂĄvel. A experiĂȘncia que importa nĂŁo Ă© a do tempo, mas a do resultado.
E mais: ninguém governa sozinho.
⥠O que realmente governa é o time.
A ParaĂba vive hoje um exemplo concreto disso. O PSB, sob a liderança do governador JoĂŁo AzevĂȘdo, construiu um modelo administrativo baseado em planejamento, metas e equipe. Dentro desse projeto, Ă© fundamental citar TibĂ©rio Limeira, um quadro tĂ©cnico e polĂtico que representa uma gestĂŁo moderna, dialogada e comprometida com polĂticas pĂșblicas estruturantes.
O mesmo vale para os Republicanos, que comandam a Secretaria de Educação do Estado com resultados reconhecidos, e para o Progressistas, que assumiu pastas estratégicas e integra um projeto coletivo de governo. Aqui, a lógica é clara: o projeto vem antes do nome.
⥠CĂcero Lucena: testado, sim â aprovado, nem sempre.
Ao exaltar CĂcero Lucena como um gestor âtestadoâ, ignora-se convenientemente que sua trajetĂłria Ă© marcada por escĂąndalos, investigaçÔes e desgastes polĂticos, que acompanharam suas gestĂ”es e ainda hoje fazem parte do debate pĂșblico. Mesmo com decisĂ”es judiciais posteriores, os episĂłdios deixaram cicatrizes polĂticas e questionamentos sobre prĂĄticas administrativas e Ă©tica na gestĂŁo.
ExperiĂȘncia nĂŁo pode ser medida apenas pelo nĂșmero de mandatos, mas pelo legado deixado.
⥠E quem distribui o selo de experiĂȘncia? Veneziano.
Aqui a sĂĄtira se impĂ”e por si sĂł. Veneziano fala como se sua prĂłpria passagem pelo Executivo fosse um exemplo a ser seguido. No entanto, sua gestĂŁo Ă frente da Prefeitura de Campina Grande Ă© amplamente lembrada por dificuldades administrativas, falta de planejamento, problemas financeiros e ausĂȘncia de um legado estrutural consistente.
NĂŁo foi uma gestĂŁo que virou referĂȘncia, nem dentro nem fora do estado. Ao contrĂĄrio, encerrou-se com desgaste polĂtico e crĂticas Ă incapacidade de imprimir eficiĂȘncia administrativa. Portanto, soa contraditĂłrio â para nĂŁo dizer cĂŽmico â que Veneziano tente medir a rĂ©gua da experiĂȘncia alheia.
⥠Nome forte pode fracassar. Time comprometido sustenta.
A polĂtica contemporĂąnea exige menos personalismo e mais governança. Um nome isolado pode fracassar, mesmo apĂłs dĂ©cadas na vida pĂșblica. JĂĄ um time bem montado, com projeto claro e compromisso coletivo, tende a resistir a crises e entregar resultados reais Ă população.
⥠Conclusão
ExperiĂȘncia, quando desacompanhada de projeto, equipe e resultados, vira apenas retĂłrica. A ParaĂba tem mostrado que o caminho mais seguro nĂŁo passa pelo culto a nomes âtestadosâ, mas pela construção de times preparados e projetos consistentes.
No fim das contas, o eleitor nĂŁo escolhe currĂculo â escolhe resultado.
Alexandre Kennedy