Política

Quando a liderança nas pesquisas não converte em vitória: A lição política para a Paraíba em 2026

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Editorial — Alexandre Kennedy
Pauta das 20

A prévia da disputa pelo Governo da Paraíba em 2026 começa a revelar um fenômeno recorrente na política brasileira: liderar pesquisas não significa, necessariamente, converter favoritismo em vitória eleitoral. Os números iniciais animam, mas a história — e a prática política — mostram que intenção de voto sem estrutura pode se dissipar ao longo do caminho.

Pesquisas recentes apontam um nome bem posicionado na largada, com desempenho expressivo junto ao eleitorado. No entanto, esse cenário inicial traz consigo um alerta importante: popularidade não substitui máquina política, alianças sólidas e espólio eleitoral. É nesse ponto que a eleição deixa de ser estatística e passa a ser estratégia.

Estrutura política: o divisor de águas

Na Paraíba, eleições majoritárias costumam ser decididas menos pelo “momento das pesquisas” e mais pela capacidade de articulação política, capilaridade nos municípios e sustentação partidária. É justamente aí que entra o peso do atual governo.

O vice-governador Lucas Ribeiro surge como peça-chave nesse tabuleiro, não apenas pelo cargo que ocupa, mas sobretudo pelo forte e decisivo apoio do governador João Azevêdo. João não é apenas um cabo eleitoral: é o líder de um projeto político com base administrativa, presença estadual e influência direta sobre prefeitos, lideranças regionais e partidos aliados. Esse conjunto cria musculatura eleitoral real — algo que pesquisas isoladas não entregam.

A lição do passado: 2018 como espelho

A política paraibana já viveu esse roteiro. Um exemplo claro vem das eleições passadas, quando pesquisas do Ibope indicavam José Maranhão liderando com 31%, enquanto Lucélio Cartaxo aparecia com 18% e João Azevêdo com 17%, em um momento inicial da disputa. À época, muitos tomaram os números como definição antecipada do resultado.

O que a história mostrou, porém, foi diferente: campanha, alianças, crescimento estruturado e apoio político organizado mudaram o rumo do processo eleitoral. João Azevêdo, que aparecia atrás nas pesquisas, conseguiu avançar justamente por reunir estrutura, projeto e base política — convertendo intenção em voto real.

Esse paralelo é fundamental para compreender 2026: pesquisa aponta tendência, mas não garante desfecho.

2026: números versus projeto

O cenário atual guarda semelhanças evidentes. Há quem largue na frente nos números, mas enfrente dificuldades para transformar esse desempenho em um projeto político consistente. Do outro lado, há uma candidatura que cresce alicerçada no apoio do governador João Azevêdo, na presença institucional do Estado e na consolidação de Lucas Ribeiro como nome de continuidade administrativa e política.

A disputa, portanto, não será definida apenas pelo “quem lidera hoje”, mas por quem consegue converter apoio político em palanque, palanque em base municipal e base municipal em votos.

Conclusão

A eleição de 2026 na Paraíba caminha para ser mais uma prova de que liderança em pesquisas não converte, automaticamente, em vitória nas urnas. O eleitor decide no conjunto: proposta, confiança, alianças e capacidade de governar.

Quem compreender isso antes, sai na frente quando o jogo deixar de ser pesquisa e passar a ser voto.

— Alexandre Kennedy
Pauta das 20

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