
O episódio ocorrido em Ipanema, envolvendo uma advogada argentina que proferiu ofensas racistas contra um trabalhador brasileiro, não é apenas um caso policial. É um retrato doloroso de um crime que fere a dignidade humana, agride nossa história e afronta tudo aquilo que o Brasil representa enquanto nação miscigenada, plural e construída pela diversidade.
Imitar um macaco, reproduzir sons de animal e utilizar termos historicamente associados à desumanização de pessoas negras não é “excesso”, não é “mal-entendido cultural”, não é “liberdade de expressão”. É racismo. É violência. É crime.
A legislação brasileira é clara e precisa. A Lei nº 7.716/1989 define os crimes resultantes de preconceito de raça ou cor. Mais recentemente, a Lei nº 14.532/2023 avançou ao equiparar a injúria racial ao crime de racismo, tornando-o inafiançável e imprescritível. O Estado brasileiro, corretamente, respondeu com firmeza: apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica e responsabilização penal. Não como vingança, mas como afirmação civilizatória.
O Brasil não é um país perfeito. Carregamos marcas profundas da escravidão, da desigualdade e do racismo estrutural. Mas somos, acima de tudo, um povo forjado na miscigenação, no encontro de culturas, na resistência e na construção coletiva. Aqui, não há espaço para hierarquias raciais importadas, para preconceitos travestidos de arrogância ou para ataques à dignidade do nosso povo.
Quem pisa em solo brasileiro precisa compreender uma verdade simples: nossas leis protegem pessoas, não privilégios. Não importa nacionalidade, profissão ou status social. Diante do racismo, todos são iguais perante a lei.
Este editorial não é movido por ódio, mas por consciência. Não é contra uma nacionalidade, mas contra um crime. Racismo não é tolerável, relativizável ou negociável. É uma chaga que precisa ser enfrentada com educação, justiça e posicionamento firme do Estado e da sociedade.
O Brasil que queremos é o Brasil que reage. Que protege suas pessoas. Que honra sua diversidade. Que diz, em alto e bom som: aqui, racismo é crime. E não passará.
EDITORIAL | Pauta das 20 – Alexandre Kennedy