Política

Entre a galinha na mesa e a tornozeleira da PF: quando a política vira caso de polícia em João Pessoa

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Quando a deputada estadual Camila Toscano afirmou que “o povo sente saudade do gestor que come galinha na mesa”, talvez imaginasse uma imagem simples da política: o gestor sentado à mesa, próximo da população, em clima quase doméstico.

O problema é que, diante dos acontecimentos recentes em João Pessoa, a frase acabou ganhando outro significado — mais próximo da sátira do que da nostalgia.

Isso porque, enquanto o discurso falava de galinha na mesa, o noticiário político da capital paraibana passou a falar de operação policial, investigação eleitoral e crime organizado.

Durante as eleições municipais de 2024, a primeira-dama da cidade, Lauremília Lucena, foi presa no âmbito da Operação Território Livre, conduzida pela Polícia Federal para investigar aliciamento violento de eleitores e interferência de organizações criminosas no processo eleitoral.

A operação trouxe à tona um tema delicado: a suspeita de que determinadas áreas da cidade estariam sob influência de grupos criminosos durante o período eleitoral, criando dificuldades para a circulação de candidatos e interferindo diretamente na disputa política.

No meio desse cenário, surgiram denúncias ainda mais graves: contracheques pagos pela prefeitura em nome de familiares ou pessoas ligadas a integrantes dessas facções, levantando questionamentos sobre o uso da estrutura administrativa em um ambiente já marcado por tensões eleitorais.

A defesa dos envolvidos nega irregularidades, mas o episódio colocou João Pessoa no centro de um debate nacional sobre a fronteira entre política, território e crime organizado.

Foi nesse contexto que a frase da “galinha na mesa” passou a soar quase como uma crônica involuntária da política brasileira. Porque, enquanto alguns ainda falavam em política de cozinha, a realidade apresentava um cenário mais próximo de um roteiro policial.

E nesse roteiro apareceu até um acessório inesperado: a tornozeleira eletrônica.

Depois de presa na operação da Polícia Federal, a primeira-dama acabou deixando a prisão com uma tornozeleira eletrônica — que, ironicamente, muitos passaram a chamar nas redes sociais de “presente do marido, da grife PF”, em referência à Polícia Federal.

Uma metáfora ácida que traduz o clima de perplexidade que tomou conta de parte da opinião pública.

Enquanto a política municipal atravessava esse ambiente de crise e investigações, o cenário estadual segue por outra trilha administrativa. O governo liderado pelo governador João Azevêdo e pelo vice-governador Lucas Ribeiro mantém uma condução baseada em governabilidade, estabilidade institucional e responsabilidade administrativa.

Com foco em políticas públicas estruturantes e sustentáveis, o Estado segue direcionando esforços para áreas essenciais como desenvolvimento humano, educação, esporte, lazer, infraestrutura e turismo, setores fundamentais para o crescimento social e econômico da Paraíba.

No fim das contas, a frase sobre “comer galinha na mesa” acabou ficando pequena diante da dimensão dos fatos que marcaram o debate político recente da capital.

Porque, entre a metáfora da cozinha e a realidade das operações policiais, a política de João Pessoa acabou mostrando que às vezes o problema não está na galinha — mas em quem está sentado à mesa.

Blog do Alexandre Kennedy – Pauta das 20

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